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Projeto Agroflorestando promove restauração produtiva e engajamento comunitário no Cerrado
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Iniciativa coordenada pela UnB, com apoio da FAPDF, alia ciência, inovação social e agricultura familiar para recuperar áreas degradadas no Cerrado
Brigadistas e agricultores familiares durante atividade de análise de solo nas oficinas do projeto. (Créditos: Acervo do Projeto Agroflorestando)
Conciliar práticas agrícolas com a recuperação do solo e da vegetação nativa é o objetivo central do projeto Agroflorestando, coordenado pela professora Cristiane Gomes Barreto, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB), com apoio da FAPDF através do Edital Learning 2023.
Bióloga formada pela UnB, Cristiane construiu uma carreira marcada pelo diálogo entre ciência e políticas públicas ambientais. Após experiências em zoologia, consultoria e licenciamento, retornou à universidade para o doutorado em Desenvolvimento Sustentável, onde investigou a história ambiental e a paisagem.
Professora Cristiane Barreto, coordenadora do projeto, conduz oficina sobre inovação em tecnologias sociais no Cerrado. (Créditos: Acervo do Projeto Agroflorestando)
Desde 2016, como servidora, atua em projetos voltados à restauração ecológica, agricultura familiar e inovação social.
O Agroflorestando foi estruturado em três eixos: o fortalecimento comunitário, a análise de recursos tangíveis como mudas e sementes nativas, e a inovação social por meio de oficinas e trocas de conhecimento. Essa abordagem integrada permitiu envolver estudantes de mestrado e doutorado, agricultores e jovens do meio rural, ampliando a circulação de saberes e práticas sustentáveis.
Alunos do CED PAD-DF colhem o feijão andu (ou guandu), cultivado como estratégia de recuperação produtiva do solo e aproveitado na própria merenda escolar (Créditos: Acervo do Projeto Agroflorestando)
Entre as atividades realizadas, destacam-se as oficinas de tecnologias sociais, como a oficina com jovens do Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura Familiar (PADEF) e a oficina sobre combate ao fogo, que reuniu agricultores familiares, brigadistas e especialistas da área. Esses encontros resultaram não apenas em troca de experiências, mas também na criação de metodologias comunitárias para prevenção e enfrentamento de incêndios, um dos principais desafios ambientais do Cerrado.
Os avanços já são expressivos. No campo científico, o projeto contabiliza cerca de dez trabalhos apresentados em congressos, artigos submetidos e três trabalhos acadêmicos em andamento. No aspecto social, houve a criação de uma associação de jovens agricultores no assentamento Osiel Alves, passo decisivo para a gestão coletiva de iniciativas locais. Já os impactos ambientais incluem o retorno da fauna — aves, répteis e mamíferos — às áreas em processo de restauração.
Oficina prática de tecnologias sociais: participantes aprendem a montar protótipos de baixo custo para uso comunitário. (Créditos: Projeto Agroflorestando)
O percurso também envolveu desafios. O alto custo de mudas nativas e um incêndio que destruiu parte de uma área restaurada exigiram resiliência e criatividade da equipe. Como resposta, foram desenvolvidos cinco protótipos comunitários de baixo custo para prevenção e combate ao fogo, além de equipamentos e metodologias que agora começam a ser replicados em territórios da agricultura familiar.
Troca de conhecimentos em sala de aula: metodologia participativa aplicada ao desenvolvimento de soluções comunitárias.(Créditos: Acervo do Projeto Agroflorestando)
O apoio da FAPDF foi essencial para garantir bolsas de pesquisa e a participação direta de agricultores, promovendo engajamento comunitário sem prejuízo às atividades produtivas. Agora, a iniciativa caminha para uma nova etapa: a construção de uma fábrica comunitária, que será gerida pela associação de jovens agricultores. O espaço vai abrigar tecnologias e protótipos criados nas oficinas, gerando alternativas de renda e fortalecendo a agricultura familiar no DF.
“O apoio da FAPDF foi fundamental para garantir que o projeto pudesse unir ciência, comunidade e sustentabilidade, deixando um legado duradouro para o Cerrado”, destaca a professora Cristiane Barreto.
Reportagem: Gabriela Pereira