Governo do Distrito Federal
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1/04/20 às 15h08 - Atualizado em 1/04/20 às 15h11

Ciência brasiliense contra Covid-19

 

Pesquisadores do Departamento de Biologia Celular do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB) foram os primeiros, em Brasília, a sequenciar um genoma do coronavírus (SARS-CoV-2), responsável pela doença Covid-19. A partir de amostra de um paciente, coletada em uma unidade do Laboratório Sabin, e de insumos cedidos pela pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IMT-FM-USP) Ester Sabino, os acadêmicos do Laboratório de Microscopia Eletrônica e Virologia puderam comparar o genoma viral com outros vírus e os resultados permitirão a identificação de informações importantes, como os diferentes eventos de entrada do coronavírus no DF e clusters de transmissão, além de subsidiar o monitoramento de variantes e mutações do vírus.

 

Bergmann Ribeiro, um dos professores do Departamento e coordenador da equipe de pesquisadores, explica que o estudo pode proporcionar avanços significativos no combate ao novo vírus. “Até o momento, a diagnose do coronavírus é feita usando técnicas moleculares com a análise de uma pequena parte do genoma do vírus (menos que 1% do genoma). Essa informação não é suficiente para conhecer a origem do vírus, as suas características e as mutações que estão ocorrendo nas condições brasileiras. Para isso, é preciso o genoma completo do vírus”, destaca Bergmann.

 

Ele ressalta que este foi o primeiro genoma do SARS-CoV-2 sequenciado em Brasília e que o intuito é expandir a pesquisa: “planeja-se incluir mais amostras de pacientes de todo o Distrito Federal. Estas informações servirão para conhecer os principais meios de disseminação da doença, elaborar estratégias de contenção mais eficientes monitorar as mutações existentes e aquelas que surgirem e que poderão alterar a patologia da doença”.

 

 

Apoio da FAPDF – O Laboratório de Microscopia Eletrônica e Virologia, onde o sequenciamento do genoma do coronavírus foi sequenciado, conta dois microscópios eletrônicos (um de transmissão e outro de varredura), um microscópio confocal, um microscópio invertido e de fluorescência, infraestrutura para cultura de células de bactérias, células de inseto e de mamíferos. Possui, ainda, equipamentos para purificação de proteínas manipulação genética de bactérias e vírus e sequenciamento de ácidos nucleicos.

 

Essa estrutura foi montada ao longo dos anos, a partir de apoio financeiro concedido por diferentes agências de fomento e, principalmente, pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) que fomentou, no âmbito do Edital 04/2016, o projeto “Zika, Dengue e Chikungunya: abordagem multidisciplinar para desenvolvimento de soluções aplicáveis em saúde pública”. Coordenado pelo professor Tasuya Nagata, o projeto recebeu o total de R$ 2.998.999,94 para perseguir o objetivo geral de desenvolver soluções prontamente aplicáveis na saúde pública para a redução da incidência das viroses no Distrito Federal.

 

O projeto é dividido em quatro subprojetos, entre eles o denominado “Caracterização e variabilidade genética de arbovírus circulantes no DF”, no âmbito do qual, sob coordenação do professor Bergmann Ribeiro, foi realizado o sequenciamento. Para o subprojeto, foi destinado o valor de R$ 700 mil.

 

O objetivo de estudo do subprojeto é a caracterização da diversidade genética dos vírus Zika (ZIKV), Chikungunya (CHIKV) e dengue (DENV) circulantes no DF e a investigação da presença de outros arbovírus em amostras de sangue de indivíduos com doença febril aguda, em mosquitos A. aegypti e em primatas silvestres por meio de abordagens metagenômicas. “Nosso laboratório já sequenciou, até o momento, genomas de Zika, Chikungunya e outros vírus (de mosquitos e primatas)”, complementa o professor Bergmann.

Fundação de Apoio a Pesquisa do Distrito Federal - Governo do Distrito Federal

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