Governo do Distrito Federal
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30/09/19 às 11h40 - Atualizado em 30/09/19 às 11h40

Alfa Crux

Foto: Ascom/FAPDF

 

Na última sexta-feira (27/09), a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Universidade de Brasília (UnB) assinaram o convênio tripartite que possibilitará o desenvolvimento do “Sistema Alfa Crux de Comunicação via Satélite”. O projeto, desenvolvido por pesquisadores da UnB, passa a contar com apoio das outras duas instituições para colocar em órbita, em 2020, um nano satélite que irá prover conexão de comunicação em áreas de interesse estratégico do país, bem como em regiões remotas, onde não se tem infraestrutura ou interesse econômico em ofertar o serviço.

 

Além dos presidentes da FAPDF e da AEB e do coordenador do projeto, a mesa de honra da solenidade de assinatura foi composta, ainda, pela vice-presidente da FAPDF, Elisabete Lopes; pela diretora executiva da Fundação Universidade Aberta do DF, Simone Benck; e pelo coordenador do projeto, professor Renato Alves Borges, que representou a reitora da UnB, Márcia Abrahão).

 

O projeto é fomentado pela FAPDF, consagrando a primeira participação do Governo do Distrito Federal (GDF) como financiador de uma missão espacial. “Essa ação, de certa forma, materializa a nossa cooperação técnica com a UnB e a AEB. É muito importante fazermos a assinatura desse convênio aqui na AEB, pois simboliza uma ação de parceria entre o governo federal e o governo do Distrito Federal, que entende que pode ser um grande espaço de experimentação para as políticas públicas do governo federal e esse é um exercício que materializa essa iniciativa e essa possibilidade concreta de ter no DF um laboratório de experimentação. Em segundo lugar, essa ação específica do projeto Alfa Crux, mais do que todos os aspectos técnicos relevantes, ela sinaliza uma possibilidade concreta de conectarmos a ciência e a educação, para despertarmos brilho nos olhos das nossas crianças para o ensino de ciências. No Planejamento Estratégico da FAPDF, temos a ambição de, até 2030, levar o DF a estar entre os cincos países mais bem colocados no Pisa. Vejo muita possibilidade nesse convênio para conseguirmos ativar nos nossos professores e alunos tudo o que há de simbólico na conquista do espaço”, expressou o diretor-presidente da FAPDF, Alexandre Santos.

 

A vice-presidente Elisabete Lopes ratificou a importância do projeto para consolidar o fomento à ciência como catalizador do desenvolvimento regional: “Esse projeto foi um dos primeiros que recebemos no início dessa gestão e é muito simbólico que marca o nosso compromisso com a pesquisa, ciência, tecnologia e com o desenvolvimento que coloca o DF em outro patamar”.

 

Já a diretora executiva da Funab destacou o convênio como um importante precedente que demonstra o potencial de ações em parceria para impulsionar a educação e o desenvolvimento baseado em CT&I no DF. “É um privilégio poder participar de uma solenidade como essa, me sinto muito honrada. Espero que a Funab, que tem a meta de implementar a Universidade do DF, seja também uma parceira em ações semelhantes. Creio que parcerias como esta fomentam ciência, tecnologia e inovação e, no mínimo, elevam o país a outro patamar em que tenhamos parcerias como essa e tenhamos possibilidades de ir ao espaço”, afirmou Simone Benck.

 

O presidente da AEB, Carlos Moura, ressaltou o potencial de crescimento para o país com lançamento de nano satélites no ‘novo espaço’. Esse é o termo que caracteriza o uso do espaço para satélites menores, em órbitas mais baixas, se contrapondo ao início da corrida espacial, na década de 1970, que buscava lançamento de grandes foguetes. “Hoje temos oportunidade de conseguir muitos resultados com menos recurso e infraestrutura. O poder de um satélite desse em prover serviços para nossa população é maravilhoso. Nos sentimos muito orgulhosos, nos congratulamos com a FAPDF por essa atitude corajosa e muito bem fundamentada e nos colocamos à disposição para estar sempre apoiando naquilo que nos couber para ajudar na interlocução com todos os agentes. A AEB estará sempre de portas abertas e gostaríamos de no mínimo, se não pudermos ser um agente provedor, sermos um agente catalizador de iniciativas como essa”, afirmou Carlos Moura.

 

O projeto – A pesquisa e desenvolvimento envolvendo arquiteturas típicas de satélites e cargas úteis (massa, volume, potência, campo de visão, estabilidade de atitude e altitude, resolução temporal/espacial alcançável, resultado das limitações da taxa de dados, dentre outros) proporcionará soluções inovadoras no que se refere ao uso e aplicações de tecnologia de nano-satélites. Trata-se de um projeto de pesquisa e inovação com tarefas de alto nível como gerenciamento, planejamento, análise de riscos, e todas as fases do ciclo de vida de um projeto de tecnologia espacial.

 

O desenvolvimento e operacionalização de sistemas de comunicações de dados e voz confiáveis em áreas remotas, ou de difícil acesso, ainda representa um desafio no mundo moderno que afeta não somente a sociedade civil, como a defesa do país. Na área civil, pode-se dizer que a uma década atrás não havia aplicativos on-line para melhorar a agricultura e sua precisão, para comunicação direta entre dispositivos (do inglês, Machine to Machine – M2M), ou mesmo interação e troca de dados de forma a elevar a conectividade da internet a um patamar mais abrangente, o da Internet das Coisas (do inglês, Internet of Things – IoT).

 

No campo da defesa, regiões remotas com baixa infraestrutura não possuem capacidade de comunicação vital além da linha-de-visada para atender a usuários táticos terrestres. Ao operar em grandes distâncias, em terrenos acidentados ou em ambiente de selva, os usuários táticos não podem manter a linha-de-visada do rádio. Isso cria lacunas na consciência situacional, aumentando a possibilidade de que ameaças ou atividades criminosas passem despercebidas, não sejam monitoradas, não sejam reportadas e não sejam acionadas.

 

“O que se espera com essa missão é contribuir para o aumento da conectividade em escala global. Ela é a base para viabilizar conexões entre dispositivos, a internet das coisas no sentido mais amplo. Estamos olhando para aspectos como racionalização e planejamento tático de recursos, regiões remotas, aplicativos para viabilizar agricultura de precisão e outras aplicações diversas, tudo isso ainda carece de conectividade em larga escala para melhorar a qualidade de vida no mundo. Para essas e outras questões, enxergamos soluções como provimento de cobertura em áreas de interesse estratégico, prover enlaces de comunicação na Região Amazônica e em zonas de desastres. A proposta do Sistema Alfa Crux é uma constelação de satélites alinhados com o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais e a FAPDF está comprometida com a gente nessa trajetória para que consigamos colocar em órbita o primeiro satélite”, destacou professor Renato.

 

Resultados e Metas – Desde sua idealização inicial, o projeto já rendeu bons resultados. No período de 2013 a 2019, foram nove artigos publicados em revistas e 32 apresentados em conferências, além de um depósito de patente e um registro de software.

 

Como próximos passos, o coordenador do projeto prevê um cronograma audacioso. A ideia é que o primeiro lançamento aconteça já em 2020. Para 2021, estão previstos comissionamento, testes em órbita e desenvolvimento SDR e de hardware e, em 2022, a previsão é realizar o segundo lançamento.

 

Além da FAPDF, UnB e AEB, o Alfa Crux conta com outras parcerias e cooperações nacionais e internacionais, entre as quais: Força Aérea Brasileira (FAB), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Laboratório Nacional de Clima Espacial (Lance), Nações Unidas, Montana University, The University os Nottingham, German Aerospace Center.

 

Confira o vídeo produzido pelo Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (iEEE) sobre o projeto: https://transmitter.ieee.org/natural-capital-2019/?sid=1&ssid=2#section12

 

Presenças – O evento de assinatura do convênio também contou com a participação do membro titular do Conselho Superior da FAPDF e Decano Espacial, José Raimundo Braga Coelho, e do subsecretário de Educação Básica do DF, Helber Ricardo Vieira.

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